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COO da MediaMonks alerta para aposta precipitada em tecnologia

Wesley Ter Haar, que vendou sua produtora para Martin Sorrell, explica que marcas desistem de inovar por perderem dinheiro nas primeiras ações

Luiz Gustavo Pacete
8 de janeiro de 2019 - 17h49

Martin Sorrell pode ter frequentado, proporcionalmente, muito mais o Palais de Cannes, do que Las Vegas, mas sua presença e relação com a CES não são novas. Anualmente ele marca presença na feira e, na maioria das vezes, dá sua opinião sobre vários assuntos. Neste ano, no entanto, Sorrell estreou no palco da CES com a S4 Capital, holding que criou em setembro de 2018, após ter deixado o WPP. Em sua companhia, Wesley Ter Haar, cofundador e Chief Operating Officer (COO) da MediaMonks, uma das primeiras empresas compradas por Sorrell.

Wesley Ter Haar, cofundador da MediaMonks (Crédito: Divulgação)

Em entrevista ao Meio & Mensagem, Wesley comentou a importância da CES sobre a perspectiva de busca de inovação e também de negócios. Comentou a ansiedade de marcas, agências e produtoras em relação às novas tecnologias e ressaltou o papel de Sorrell nesta nova fase da MediaMonks, que mantém um escritório no Brasil desde 2016. “Ele (Sorrell) viu a indústria se movimentar nos últimos anos e podemos oferecer essa oferta diretamente para as pessoas que decidem o que acontece em um nível global. Isso significa que pulamos cerca de 5 a 10 anos de criação da MediaMonks”, destaca.

Meio&Mensagem – Qual é a importância da CES para quem trabalha com marcas, criatividade e experiência para o consumidor?
Wesley Ter Haar –
 É um ótimo momento para sentir o pulso da indústria já que ela reúne uma variedade de marcas, empresas de tecnologia e plataformas e ajuda a definir o foco para 2019 e o possível impacto no comportamento do consumidor. Isso realmente ajuda a ter uma noção de onde os investimentos vão, o que deixa as pessoas empolgadas e onde teremos oportunidades para fazer um trabalho interessante e emocionante.

M&M – Qual é o desafio atual para fornecer valor para os consumidores nas ações de marcas?
Wesley – Você pode fazer algo que agregue valor para o consumidor. E esse é um objetivo amplo. Às vezes, isso significa tornar algo mais fácil, por exemplo, encontrar informações importantes para fazer uma escolha de compra ou tornar a jornada do usuário do digital para o físico e vice-versa. Outras vezes pode ser divertido e focado na experiência. Podemos fazer com que alguém ria, se divirta, aproveite algo fora do comum por causa de um evento ou ativação.

“Se uma marca investe muito dinheiro, seu retorno sobre o investimento pode não fazer sentido e eles estarão menos inclinados a voltar para uma segunda tentativa”

 

M&M – VR, AI, AR: as marcas, agências e plataformas lidam todos os dias sobre essas expressões. Como você vê a maneira como essas tecnologias e outras que veremos na CES mudarão a forma de criar histórias e experiências para os consumidores?
Wesley – Elas são todas empolgantes, mas acho que é importante ser responsável quando discutimos com as marcas. Tecnologias como AR e Voz são interessantes e começarão a fazer parte do comportamento cotidiano do usuário, mas no momento a escala ainda não existe. Então, se uma marca investe muito dinheiro, seu retorno sobre o investimento pode não fazer sentido e eles estarão menos inclinados a voltar para uma segunda tentativa. Acho que é isso que aconteceu com o VR em muitos casos, por isso estamos tentando ser muito intencionais com nossos clientes sobre AR e voz. Sim, vamos fazer isso, mas com investimentos menores e programas piloto claros para criar um caso de negócios (ou não) para decidir os gastos futuros.

Old Spice Squid, um dos cases mais conhecidos da MediaMonks, foi produzido em São Paulo (Crédito: Reproduçao)

M&M – Como está a MediaMonks depois de ingressar na S4 Capital? Quão importante é para a empresa ter Martin Sorrell por perto?
Wesley – Tem sido ótimo e realmente o melhor dos dois mundos. Podemos continuar construindo a MediaMonks com o mesmo foco em maker e criatividade que sempre tivemos, mas agora com o poder de fogo adicional que Sir Martin adiciona à mistura. Seus insights sobre nossa indústria e como construir escala em um negócio têm sido um MBA e nos permite conversar e consultar no nível C, que anteriormente estava fora do alcance das produtoras.

M&M – Por que você acha que Sorrell escolheu a MediaMonks? E quais são as mensagens que a S4 quer dar para a indústria da criatividade com esse negócio?
Wesley – Eu acho que é um reflexo da indústria e da importância da produção dentro dela. As marcas querem ser mais rápidas, mais ágeis, entregar mais por menos e, ao mesmo tempo, promover a relevância cultural e de qualidade. Estar perto do talento, tirando silos e passos no processo e sendo capaz de combinar qualidade, habilidade e rapidez, são essenciais para grandes equipes de produção.

“As marcas querem ser mais rápidas, mais ágeis, entregar mais por menos e, ao mesmo tempo, promover a relevância cultural e de qualidade”

 

M&M – Qual é a importância do Brasil para a MediaMonks e os planos para o escritório regional?
Wesley – Nosso escritório em São Paulo tem sido um verdadeiro impulsionador de nosso sucesso internacional, entregando alguns dos nossos maiores e mais famosos trabalhos em 2018. Isso está sendo refletido em seu crescimento, com um novo escritório a ser inaugurado para expandir nossas ofertas experimentais e de pesquisa. Em 2019, passaremos mais tempo no mercado também, queremos trabalhar com as grandes agências e marcas localmente.

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