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Hora de pensar fora do browser

Derek Fridman, chief design officer da agência Huge, comenta as novas realidades trazidas pelas tecnologias e seu papel estratégico para as marcas  

Roseani Rocha
8 de janeiro de 2019 - 5h12

Projeto da Leap Motion é uma das experiências de futuro exaltadas por Fridman (Crédito: reprodução)

 A Huge é uma agência digital focada em design e user experience que chegou a ter três escritórios no Brasil – o primeiro no Rio de Janeiro e, depois, São Paulo e Porto Alegre -, mas em 2017 decidiu deixar o nosso mercado, justificando a decisão pela situação econômica do País. A agência nascida no Brooklyn, em Nova York, deixou o Brasil, mas não a América Latina, pois ainda tem dois escritórios na Colômbia (em Bogotá e Medelín). Além disso, também está presente na Europa, com um escritório em Londres e, no Canadá, em Toronto e segue como uma das referências em sua área de atuação. Tanto assim que seu chief design officer, Derek Fridman, foi um dos destaques em um dos painéis ocorridos no Las Vegas Convention Center, nesta 2ª-feira, 7, antes mesmo da abertura oficial da edição 2019 da CES, que ocorre na 3ª-feira, 8. Para falar sobre as realidades – mixed, aumentada e virtual – e seu papel como estratégias de branding, ele esteve acompanhado de Fabian Birgfeld (W12 Studios), Natascha French (Vintana), Alexander Nick (Google), Dan Ruststein (Laduma) e Marie Sornin (NextVR). Ao final do painel, Fridman falou com exclusividade ao Meio & Mensagem, inclusive sobre uma possível volta da agência ao mercado local – ainda que de forma sucinta e evasiva.

 

Como resumiria seus pensamentos sobre o papel de ferramentas como realidade aumentada, realidade virtual e a chamada mixed reality na estratégia das marcas?

De modo geral, AR, VR, MR como qualquer uma das realidades são atrativas agora para as marcas, porque as marcas usavam a estratégia de colocar no ar um comercial de TV, um anúncio na parede e isso era “uma” mensagem para muitas pessoas, e o que essas novas tecnologias permitem é que eu tenha capacidade e a oportunidade de falar com você diretamente. Se faço tênis, permitem que você brinque com os produtos e os veja, antes de comprar, se estamos vendendo coisas para casa ou hardware, você pode visualizar essas coisas dentro da sua casa antes de comprar. É uma forma muito mais profunda de o consumidor se engajar com a marca, porque ele pode brincar com os produtos antes mesmo de adquiri-los. Você pode montar um carro, esse tipo de coisas. As marcas podem dar passos além do clássico comercial de tv somente falando dos benefícios dos produtos e dos outdoors.

Quais os melhores exemplos, entre os trabalhos que vocês têm feito para seus clientes e o que vê fora de sua agência?

Dei um exemplo no palco da Lowe’s, que é uma grande varejista aqui nos Estados Unidos que vende coisas de tamanhos muito grandes, como móveis para jardins, grills, eletrodomésticos. O que fizemos foi usar o ARcore, do Google, para integrar o AR à navegação na internet, sem atrito, invisível, quando aparece um produto. Quando toca na imagem dele, pode virá-la de um lado ou outro, colocar a luz no lugar certo, ver o produto antes de ir à loja. Não precisa envolver um dólar para levar aquilo para casa e perceber que era completamente errado. Agora, duas coisas interessantes que tenho visto são meio ligadas ao futuro. Neste momento, tudo diz respeito ao smartphone, mas no futuro será sobre as coisas que você veste, como os óculos que você está usando. Há um projeto chamado North Star que está sendo feito pela Leap Motion (assista ao vídeo abaixo). Eles rastreiam movimentos das mãos, colocam um negócio bem grande na sua cabeça, mas isso permite tipos de experiências com AR e VR, mas com um campo de visão muito grande. É muito imersivo e abrangente. E esses aparelhos, que agora ainda são um problema, porque muito grandes, em algo como quatro anos serão muito menores. E para AR, usar o telefone celular ou um headseat ainda é um problema. Enquanto não chegarmos a algo que seja muito mais integrado e imperceptível, ainda haverá alguma fricção para que a experiência da realidade aumentada seja realmente imersiva.  A outra ferramenta que citei, quando alguém perguntou sobre como prototipar, foi a de uma empresa que se chama Tourch AR, é um app, que adoro mostrar para nossos times de design. Ele permite que você crie experiências de AR e já faça a prototipagem. Em vez de ir a um desenvolvedor, dizer que tem uma ideia, pagar para ele fazer etc. você pode fazer tudo em seu celular. Posso, por exemplo, colocar um cachorro aqui no chão, você pode pegar o modelo, fazer o download no Sketchfab, construir, mostrar para seu cliente “é isso que queremos fazer”… em minutos. Então, o que veremos no próximo ano, para designers, creators, anunciantes é que as ferramentas serão muito mais fáceis para eles serem criadores de algo e prototipar, em vez de irem atrás de uma empresa para fazer isso.

O que houve com a Huge no Brasil? Em que mercados da América Latina a agência ainda está operando e qual sua visão sobre os temas inovação e tecnologia para a região?

Temos escritórios em Medelín e Bogotá, na Colômbia agora. Mas trabalhamos em muitos projetos globais para a companhia. Falar sobre inovação e tecnologia, considerando a América Latina, também é empolgante. Algumas das coisas que estamos operando e lugares onde estamos experimentando dizem respeito ao que está vindo. Não estão ainda aqui, mas estamos tentando fazer com que cheguem o mais rapidamente possível. Sejam superar os displays ainda muito grandes em nossas cabeças ou… temos encorajado muitas das nossas equipes de design a experimentarem bastante coisas. Ano passado e este ano estamos experimentando muito mais coisas, quando vemos que algo é interessante e nunca foi feito, apresentamos a um cliente, para que ele veja a adesão daquilo à sua marca. Nós decidimos estar continuamente fazendo coisas, rompendo algumas outras, deixando outras de lado, mas estamos o tempo todo encorajando nossos times de design a fazerem isso também pelo próximo ano e focando pesadamente em “pensar fora do browser”. Viver todas as realidades.

Considerariam voltar ao Brasil? E do que isso dependeria?

(risos) É claro! Mas depende de uma série de fatores, econômicos, de talentos. São vários fatores, mas para nós é totalmente… o roll-out global que temos feito diz respeito aos lugares onde vemos novas oportunidades, novas tecnologias. Tudo é possível.

 

 

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