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Mobilidade urbana na era da tecnologia e de dados

Trata-se de um desafio da agenda global, todos estão engajados e atentos a essa demanda. Quando falo de todos, não me refiro apenas às empresas. Na CES, ficou muito evidente que governos, startups e empresas de tecnologia


13 de janeiro de 2020 - 12h49

(Crédito: Denys Nevozhai/Unsplash)

Não deve ter começado nessa edição, e também não me surpreendeu o espaço dado a questão da mobilidade urbana aqui na CES – dado a sua importância. Trata-se de um desafio da agenda global, todos estão engajados e atentos a essa demanda. Quando falo de todos, não me refiro apenas às empresas. Na CES, ficou muito evidente que governos, startups e empresas de tecnologia querem unir forças para revolucionar a mobilidade urbana. Para se ter uma ideia do tamanho do desafio, segundo as Nações Unidas, 68% da população mundial viverá em centros urbanos até 2050. Nesse mesmo período, o número de megacidades com populações acima de 10 milhões de habitantes subirá dos atuais 43 para 51.
A mobilidade é um desafio para a cidadania. Cidadania porque ao gerenciar com mais atenção o tema, você melhora a questão de fluxo nas cidades, possibilita que as pessoas poupem o tempo que gastavam com engarrafamento, elimina impactos ambientais e salva milhares de vidas que são perdidas diáriamente em acidentes de trânsito. A tecnologia tem um papel muito importante nessa batalha, e vejo com otimismo que todos esses players assumiram o desafio de resolver o problema.
Mas como?
Por meio de dados, por exemplo. Ouvimos diversos casos de empresas que estão usando inteligência conectada para fazer a diferença na mobilidade das cidades. Os dados já nos mostram quantas pessoas usam carro por dia, quais estações de metrô ficam mais cheias e em quais horários, quais regiões engarrafam com mais facilidade. Entretanto, estamos indo além disso. Por que não criar uma tarifa dinâmica de estacionamento que aumente nas regiões com mais congestionamentos? E mais: por que não usar esses dados para prever comportamentos e evitar tantas mortes por acidentes nas estradas e ruas?
Vi no evento que o futuro da mobilidade urbana passa por quatro grandes tendências: multimodais, C-V2V (comunicação de veículos com outros veículos), carros autônomos e elétricos. Essas soluções já estão sendo desenvolvidas e testadas em cidades americanas e europeias e devem ganhar o mundo rapidamente.
Outra forma? Os carros conectados vieram com força total nessa CES. Opções para todos os gostos mostram como o carro pode facilitar a vida das pessoas no dia a dia usando inteligência artificial ou até mesmo o pagamento. Falamos bastante por aqui em como, assim como o pagamento, o automóvel também passa por uma ressignificação. Afinal, ele não serve apenas para transporte de pessoas. Estamos trabalhando no desenvolvimento de uma solução que faça do carro uma plataforma de negócios. A inovação está centrada nas possibilidades de pagamento que o consumidor realiza na jornada com o carro, como abastecimento de combustível, estacionamento, pedágios, entre outros serviços. E isso é levar comodidade às pessoas e, mais importante, otimizar o que mais falta no mundo dinâmico e corrido de hoje em dia: tempo.
Os pagamentos eletrônicos possuem um papel importante nessa transformação e ganham importância à medida que mais cidades adotam os pagamentos por aproximação no transporte público e os digitais em estacionamentos e serviços de locação de bicicletas e patinetes, por exemplo. Acredito que muitas dessas mudanças farão uma diferença significativa nas viagens diárias das pessoas, seja ajudando-as a encontrar um lugar para estacionar, o posto com o melhor preço para abastecer o carro ou a planejar sua jornada usando meios de transporte público. O futuro das nossas cidades está entrelaçado – e depende – do futuro dos transportes e da mobilidade.

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